Hipóteses teóricas

  • Os efeitos de líder serão mais fortes em contextos em que o poder governamental é centralizado e o número de partidos no governo é reduzido. Todas as democracias europeias são não-presidenciais, mas diferem substancialmente no grau de poder do Primeiro-Ministro e no número de partidos no governo. Assim, torna-se pertinente desenvolver uma tipologia de poder dos Primeiros-Ministros, distinguindo entre tipos de governo (parlamentares ou semi-presidenciais) assim como o número de partidos no governo (partido único ou multipartidário). Se concluirmos que onde o poder é mais centralizado e a responsabilização é maior os efeitos de líder são mais fortes, então poderemos afirmar que estes são um sinal de politização.
  • Os efeitos de líder serão mais fortes em partidos onde os líderes são mais importantes. Com base no trabalho anteriormente desenvolvido por Marina Costa Lobo, que estabeleceu uma ligação entre o tipo de partido (partidos de massas vs. eleitoralista) e os efeitos de líder, exploraremos a relação entre a natureza dos partidos e os efeitos de líder. Em primeiro lugar, os efeitos de líder deveriam ser maiores em contextos em que os líderes são diretamente eleitos pelos militantes ou em primárias abertas. Em segundo lugar, os efeitos de líder deveriam ser maiores em partidos que normalmente formam governo, comparando com partidos que tendem a estar na oposição. Para partidos de governo, escolher um líder significa escolher um Primeiro-Ministro. Ambos são sinais de que a distinção entre líderes e partidos pode estar a desvanecer-se mas nem por isso a tornar-se menos política.
  • A importância dos efeitos de líder variará negativamente em função do desalinhamento partidário. O desalinhamento partidário será desconstruído nas seguintes variáveis: aqueles com fraca ou nenhuma identificação partidária; aqueles que decidem tardiamente em que partido votar; aqueles que mudam entre partidos (ou entre a abstenção e um determinado partido) de uma eleição para a seguinte, que têm emoções superficiais em relação aos líderes. Se os líderes tiverem maior influência em termos relativos e absolutos para os politicamente alinhados, teremos argumentos que demonstrem que os efeitos de líder não são um sinal de despolitização. Também relacionaremos o desalinhamento com o nível de sofisticação política, uma vez que, em última análise, se um eleitorado desalinhado sofisticado estiver a usar os líderes como referência também não poderá ser considerado um sinal de desvalorização das eleições.
  • A importância dos efeitos de líder será maior para mobilizar eleitores durante o período de campanha eleitoral do que para converter eleitores. Usando dados longitudinais recolhidos antes e após as campanhas eleitorais, será possível determinar se os efeitos de líder influem mais como reforço das predisposições políticas, como mobilizadores ou como conversores de votantes que votaram por outros partidos. Se os líderes influenciarem mais como mecanismos de reforço e mobilização, podem ser interpretados como proxies do comportamento eleitoral.